30 de maio de 2009

Cansaço


Quando o cansaço é tanto que já nâo deixa dormir, quando a tristeza afoga, sufoca sem dó, quando a dor não deixa viver, näo se quer morrer, só deixar de sentir. Mais nada.
Perdemo-nos a comprar coisas na tentativa desesperada de dar sentido à vida mas, se um ipod é a razão de se acordar de manhã, então não há sentido em nada. Os caminhos que não percorremos, as noites em branco, a ansiedade, para quê? Valerá a pena?
A indiferença dos outros corta como uma faca. Prova o que mais tememos, somos insignificantes. Não valemos o trabalho de uma palavra, o desgaste de um gesto. Se temos uma vida tão vazia que precisemos de pagar a alguém para nos ouvir e fingir que se interessa, então é porque não há nada para salvar ou lutar. Só prolongar a espera de um milagre. É redundante. O fim é certo, porque não abreviá-lo?
Choca-me ainda, ate esta data, como se pode ver mais preocupação, ainda que falsa, na cara de uma estranha do que na cara de a quem abrimos a alma. Suponho que o sentir seja um constrangimento a evitar. A intimidade traz muitas complicações. Mais facil a conversa de circunstância ou trabalho.

27 de maio de 2009

Are you looking for an affair?

He̘llo my inquisitor !

My husِband is on a wo̒r̒k triͥp !! Do you want to f%ck me wּhile he's gone? I̢'m dis͇cr͉eet and woͭn'͟t say a wor̒d!̀! lêt's hav֘e some fun

My usern٘ame i̾s Ch֞e͈rey .

My pa̕g̜e is heِr͆e: http://ykslqwyw.gilrsslutty.ru

T͇ALK S00N!

13 de abril de 2009

Instintos


Passamos tanto tempo a tentar incorporar conceitos politicamente correctos e socialmente aceitáveis em quem somos que nos esquecemos do que somos. Animais. Não é errado querer arrancar a roupa a alguém porque um determinado cheiro nos excitou. Porque não pode ser dito? Será assim tão ofensivo para alguém ser desejado?
O ser moderno fala de tudo e de nada sendo muitas vezes profundamente só, frustrado até de tanto se recalcar.
Polimos tanto as arestas que acabamos por anular parte de nós...

25 de março de 2009

Causa e Efeito


Haverá algo pior do que reconhecer os nossos problemas, saber de onde vêm, o que nos fazem e impedem de fazer e ainda assim não os conseguir resolver?
Pode uma pessoa verdadeiramente mudar? Somos um somatório de trilhos percorridos, é causa e efeito. Como mudar quem somos? Será possível fazê-lo enquanto adulto? Resultámos do passado e este é estanque. Como mudar o efeito quando não se pode apagar a causa? Distorcendo ou bloqueando a vida que nos criou como ser? Isso normalmente não tem bom resultado...

23 de março de 2009

Amizade


Apesar de toda a crueldade existente face aos animais de estimação, curiosamente, acho que ainda conseguimos ser piores com os nossos próprios amigos.
A partir do momento que assumimos amar/gostar de um cão, gato, periquito, o que for, é incondicionalmente, mesmo quando roí a mobília ou destroi os nossos dvd's favoritos.
Já com os amigos, gostámos e cuidamos enquanto está tudo tudo bem, quando não é preciso cuidar, e gostar vem facilmente pela companhia aprazível que o outro oferece, mas a partir do momento em que se começa a "roer" a pachorra, se está mais em baixo ou necessitado, aí afastámo-nos imediatamente. É fácil, dizemos a nós próprios que é muito complicado, comentámos com os amigos que é cansativo falar com aquele problemático alguém, que nos puxa para baixo e não estamos para isso.
Depois torna-se mais fácil nem perguntar nada, fingir que está tudo bem e reduzir a amizade a um contacto social, um mero conhecimento. É simples, não estamos para isso.
E aceitámos isto como normal...
Será que temos todos vidas tão más que precisámos de nos rodear de alegria, ainda que falsa, mesmo que para isso tenhamos de empurrar quem nos quer, quem queremos ou quisemos, para um canto de forma a por cor na nossa vida?
A mim parece-me egoísmo e cobardia mas, eu devo ser meio idiota.

9 de fevereiro de 2009

Desilusão

Quando iremos perceber o peso das nossas acções? Quando tomaremos consciência de que tudo o que dizemos e fazemos, simples e irrelevante que nos pareça, tem um reacção algures em alguém? Que esse alguém pode sentir? Que aquela simples piada de mau gosto pode desmoronar um universo precariamente equilibrado.
Vestimos a insensibilidade com a capa de um sorriso.
Falamos com pessoas que nunca vimos a 500 Km de distância enquanto o vizinho de cima se suicida porque não aguenta mais a solidão. Romantizamos personagens que não passam de brilhos no ecrã enquanto fugimos de pessoas porque têm três dimensões, são mais complexas e exigentes. Se calhar é por medo que o fazemos... Não sei.
Sei sim que os silêncios podem ser ensurdecedores, que as palavras não ditas são bem mais acutilantes do que as proferidas porque demonstram uma distância indiferente de quem se cala. Construimos castelos de ilusões nas muralhas do silêncio, depois cai a esperança com uma palavra.
Diz o poeta que o sonho comanda a vida, bem, a vida é feita de momentos e no momento em que se dissipam as ilusões, naquela inóqua palavra de sumptuosas repercussões, no gesto que nos trai, quando a mão vira e o jogo se mostra, aí o poeta está errado. Não é a vida que ele comanda, é o cair do crepúsculo. A futilidade de tentar viver o que queremos e não o que temos.
"Feliz do homem que não espera nada, pois nunca terá desilusões." Alexander Pope

22 de janeiro de 2009

Pavlov


Receámos de tal forma o desgosto que esquecemos o prazer de satisfazer desejos.
Sendo este proporcional ao possível desgosto, o simbiótico receio eleva-se, paralisando os movimentos. Quando o cumulativo de experiências faz o instinto entrar,
dificilmente o racional ganha ao emotivo, deixando-nos a reagir em vez de agir.
É Pavlov, mal se vê o objecto desejado já a incomodidade se está a instalar. É uma defesa adquirida ao longo de anos, daí a crescente dificuldade em conhecer pessoas, amigos ou não, com o passar do tempo, a cada passo cai mais um pouco da inocência que nos permite confiar.
E assim nasce o conformismo...




21 de janeiro de 2009

Casual Friday


Devíamos ter um dia por semana, à semelhança do "casual friday" adoptado pelos Americanos, em que não conseguíssemos dizer mentiras, usar subterfúgios ou evitar perguntas.
No espaço de um mês adiantava-se a vida em dez anos...


3 de janeiro de 2009

A exploração da Caridade

Gosto de pensar. É algo que não consigo deixar de fazer. Uma das coisas que me parece tão simples que chega a ser infantil, é o exercício mental de tentar "vestir a pele" de outra pessoa. Isso recentemente levou-me a pensar na caridade.
O acto de ajudar alguém devia ter como objectivo a pessoa a ser ajudada e não o facilitador da ajuda, ou seja, o acto devia ser fim em si mesmo.
Imaginemos alguém sem capacidade financeira para se alimentar, a si e aos seus, imaginemos a desesperante frustração de não o poder fazer, imaginemos agora a evisceração do orgulho em ter de aceitar, muitas vezes até pedir, algo tão básico como um pão. Horrendo não?
Seguindo o exercício, vamos supor que a caridosa alma que estende a sua mao o faz publicamente, como sempre o faz senão não era vista, que nos pergunta quatro vezes se estámos contentes, se vai dar jeito, se não é uma boa ajuda, etc.
Quem recebe tem de agradecer, baixar os olhos, pedir desculpa por estar vivo e agradecer o facto de haver alguém tão superior em moral e bondade que até lhe ofereceu um pão ou outro objecto que possivelmente teria o lixo como destino de outra forma. Já não é mau que chegue não ter o que comer ou o que vestir? Ainda é necessária esta humilhação?
Infelizmente quando alguém estende a mão é para ver o próprio braço. As pessoas quando ofereçem ajuda, fazem-no para se sentirem bem com elas próprias, para mostrarem aos seus pares sociais os seus excelentes corações. Passarem por cima da réstia de humanidade, orgulho e auto-estima, de quem já tem pouca para aguentar um espelho, nem lhes passa pela cabeça.
Já nem falo dos abutres sensacionalistas de alguns programas matutinos de televisão que exploram a miséria dos outros por audiências, reduzem a condição humana de quem pouca escolha tem além de se sujeitar à humilhação pública para sobreviver com alguma capacidade de recursos básicos. Esses abutres ainda são idolatrados pelo povinho que nem sequer tenta imaginar o que será ir a uma televisão nacional em directo e fazer de animal de circo para regozijo de um "coliseu" nacional a clamar entretenimento. Só para poder comer!
A ajuda não é para ser vista nem agradecida. Se o for perde a sua nobreza por completo.
Será que ninguém pensa na indignidade sentida por quem precisa de ajuda em coisas tão básicas que têm de lhes ser devidas pelo mero facto de existirem? De serem Humanos? Fugimos assim tanto dos básicos princípios humanos e ousámos usar o sofrimento como som de fundo para o pequeno-almoço? Ficámos tão absorvidos na mesquinhez das nossas vidinhas básicas que já utilizámos a desgraça alheia como escadaria para uma falsa ascensão moral. Como podemos ser humanos quando ignorámos o que nos humaniza?
Nada mudou desde César. Entretenham o povo. Hajam jogos...
Salazar tinha os três F's, Fado, Futebol e Fátima, trocámos o fado pela TVI mas o conceito mantem-se.
Minha gente, precisar de uma esmola já é mau que chegue, ter de a agradecer publicamente para elevar o ego de alguém é desumano.
Abençoado com a maldição de pensar não consigo deixar de me sentir enojado com isto, envergonhado pela espécie a que pertenço.

2 de janeiro de 2009

In Vino Veritas

Irrita-me este novo conceito social. Enerva-me quando alguém toma uma decisão ou opina sobre algo com base em nada e se desculpa com a sociedade. É o pior tipo de cobardia intelectual que pode haver. "Por mim tudo bem, a sociedade é que não aceita..." Balelas!
Mas afinal o que é essa coisa? Esse bicho anónimo que já substitui o livre arbitrio, a capacidade de tomar decisões ponderadas, essa consciência colectiva que reflecte as nossas hipócritas cobardias. Tirando o "eu" da equação tira-se a responsabilidade da posição tomada. Assim é fácil e limpo. Pena é ser também cobarde, estúpido e apático.
Não conheço ninguém que seja abertamente contra a homossexualidade, conheço montes de gente que frequentam prostitutas, outros tantos que não suportam toxicodependentes, no entanto, a opinião pública sobre a homossexualidade é bem explícita, assim como sobre a prostituição, são ambos males a erradicar, pecados até. Os toxicodependentes recebem apoios e ajuda, nada contra, só quero focar a divergência entre as opiniões reais e fabricadas.
Muitas vezes dou por mim a sentir-me como a personagem principal das "Vinhas da Ira" de John Steinbeck "Digam-me quem me tirou as terras para que lhe possa partir a cara!". Mostrem-me esse animal mitológico chamado "sociedade" para lhe poder chamar idiota.
Recuso-me a ter as minhas opiniões impostas por um conceito geral. "Digam-me quem me tirou as terras...".
As máscaras que usámos para ir ao encontro do padrão socialmente aceitável são rídiculas, até porque, esse padrão, muitas e grosseiras vezes está errado. Porque hei-de abdicar do meu individualismo em nome de um conceito falhado? A sociedade está hipócrita, moralmente corrupta e sexualmente reprimida. Agora pergunto, vou-me eu fundir com algo que não concordo, uma sociedade dez anos atrasada face à realidade, e no processo apagar-me como ser individual? "Digam-me a quem partir a cara."
Lanço aqui o apelo de emborrachar o país inteiro, porque bêbadas as pessoas tendem a ser honestas, e encontrar aquelas que ninguém admite ser, os tais dotados de uma relação simbiótica com o social e parasitária com o mundo. E depois fuzilá-los...
Ou no mínimo forçá-los a passar sem pornografia, alcool, tabaco, mulheres, noitadas e demais farras. Ter sexo com a esposa, e só a esposa, na posição de missionário com a luz apagada e apenas quando houver intento de procriar. Ir à igreja todos os domingos e passar um dia inteiro com a Teresa Guilherme e a Júlia Pinheiro, esses fantásticos ídolos sociais representativos dos nossos dias.
Assim fuzilavam-se eles e nós tinhamos as mãos limpas.
Só uma ideia... Ou então "digam-me a quem partir a cara!".

18 de dezembro de 2008

Momentos


Sempre acreditei que são os pequenos momentos que fazem e definem as pessoas.
Vivemos com a certeza da nossa morte e a incerteza da nossa vida. Temos a noção que a maior parte dos dias passam sem sentido, maior ou menor, passam porque o sol nasce e depois se poê, nós como ele, não sabemos fazer outra coisa.
Os casais discutem até ao ódio. Oblívios a todos os pequenos pormenores que desgastam qualquer harmonia, pequenos demais para serem falados, como a pasta de dentes espremida no sítio errado ou o gel de banho aberto na banheira. Esquecidos do pavor de estarem sós, saciados da fome que em tempos os esganou, deixam passar esses pequenos nadas que o tempo torna tudo.
Os solteiros perdem um olhar, um riso, aquela pequena fracção de segundo que lhes podia ter mudado a vida e o próprio ser por receio, vergonha ou imposições sociais. E o momento passa. A incomodidade dos outros tende a ter efeito directo na nossa, ainda que por vias travessas. A harmonia social, familiar ou de um local de trabalho, já de si tenuamente equilibrada, pode-se desmoronar como um castelo de cartas à mais leve brisa. Como tal não se arrisca o momento em detrimento de um futuro.
Os grandes gestos e épicos momentos são produto da altura e do local, quase nunca da pessoa.
Os do individuo são bem mais dificeis, menores em tamanho mas muito maiores em esforço e valor. Um convite para jantar pode ser muito mais complicado do que tirar uma criança de um prédio em chamas. O risco é menos duradouro.
"A vida é o que nos acontece enquanto estamos ocupados a fazer planos." Não me recordo quem estou a citar mas não podia concordar mais com ele.

12 de dezembro de 2008

Caixa de Pandora




Não sei porquê, até sei mas não digo, hoje lembrei-me do Fernando Pessoa, e a primeira coisa que me veio à cabeça (segunda que a primeira foi a cirrose) foi como seria bom estar horas numa esplanada a escrever.
Existe algo de tranquilizante numa caneta a desenhar simbolos que são gritos ou caricias, na folha vazia que se vai enchendo de experiências, cheiros e sensações. Uma catarse inconsciente.
Esquecer a vida e inventar mil novas, deixar a dor escorrer para lindas folhas grossas que absorvem a sujidade da alma, deixar fluir na tinta o que a complexidade das mil pessoas que sou não deixa transparecer na simplicidade da uma pessoa que posso ser, dar vida aos sonhos e ar aos pesadelos.
Talvez por isso algumas pessoas nunca se encontrem verdadeiramente, por serem mais e não saberem ser menos.
Ocupar a solidão do individuo não é fácil mas, quando este engloba uma multitude de realidades, tantas quantos os diferentes pontos de vista permitem, quando há mil frases para serem ditas, mil ideias que não convergem (nem podem converger porque não pertencem ao mesmo) , então este isolamento do ser é extrapolado ao seu expoente máximo.
O que resulta disto é a máscara de uma figura plana, moldada pelo peso dos seres que o individuo tem de carregar e não consegue. Uma máscara de ferro que não pode ser tirada sob pena de expor o que atrás existe, o "eu", o "ser" que não pode ser, a hidra humana com ideias em vez de cabeças.
A caixa de pandora que não deve ser aberta.

20 de novembro de 2008

Um bolo para pensar


Hoje tive a fantástica oportunidade de ter sido chamado idiota por ter oferecido um bolo a uma criança que chormingava comida. Idiota porque nunca devia ter feito aquilo, de acordo com a pessoa que, a rir, me achou inocente por ter caido na "esparrela". Devia ter dado pão e mais nada.
Agora ouso eu dizer, pão, e seco!!! Sim, porque quem não tem capacidade financeira para se sustentar com dez anos de idade e tem a infelicidade de ser abusado por quem mais o devia proteger não merece mais do que isso!
Imaginem a lata, bolos...
Entendo que é impossível curar todos os males ou ajudar todos os que precisam mas, pensemos no seguinte:
Eu e o leitor (está a ver isto na net não está?), sentimos necessidade de ir ao cinema, tomar um café, comer crepes de chocolate até enjoar, e muitas outras coisas para fugir um pouco das nossas vidas.
Eu que saio da minha casa, entro no meu carro, venho para o meu trabalho, como e bebo conforme preciso e/ou quero, volto para casa abrigado, quente e confortável, onde vou jantar na minha cozinha, ver o meu LCD, sentado no meu sofá... And so on and so on. É cansativo por os possessivos a negrito.
Se nós que tanto temos (comparativamente) precisámos de um bolo, um cinema, um café, o que for, não precisará de mais que um pão seco quem nada tem? Será justo? Haverá o direito de dizer: "pão, que se ele tiver fome come"? Não necessitará alguém com uma existência triste, degradante pelos mais básicos padrões do que consideramos humano, direito a um bolo?
Ao negar esse bolo, esse brinquedo, essa bola, essa tábua de sobrevivência que pode bem ser o apogeu de sabe lá deus quanto tempo de uma imensidão de nada, estámos a trair a própria base que nos humaniza.
Custa-me sentir que possamos ser tão frios.
São atitudes que surgem através da insensibilidade do coração ou da letargia da cabeça, não pensámos ou não sentimos. Nenhum dos dois me satisfaz.
Podiamos ser mais do que somos.

18 de novembro de 2008

Amanhecer


Engraçado como nós deixamos de conseguir dizer certas coisas com o tempo.
Acho que inerente ao processo de crescimento, vem um de afastamento em relação a tudo o que é incondicional.
À medida que a sociedade nos vai dizendo para sermos homens, diz-nos também que temos de ser independentes, muito antes do o querermos ser na realidade, homens ou independentes. Vamos então criando uma ponte com alicerces muito fracos em relação àqueles que nos permitiram crescer. Não o queremos fazer mas não o conseguimos evitar.
Porque nos é tão difícil dizer a alguém que durante anos foi a concretização de todas as alegrias, a protectora de todos os males, a rocha que não mexia e a água que embalava, o refúgio, a causa de uma indescritível alegria e realização, amo-te? Porquê?
Crescemos e perdemos o direito a essa paz, crescemos e negámos o reconhecimento de termos sido tudo quando ainda não éramos nada a quem mais o merece saber.
A ponte cresce e com ela os inexoráveis traços do tempo marcam linhas desconexas que podem nunca ser ligadas.
Lado a lado com a impossibilidade de nos sentir-mos seguros e crianças, no fundo o que qualquer adulto quer, vem a incapacidade de admitir que já o fomos e a quem o devemos.
Não está correcto.
Quero ter filhos, espero passar horas a vê-los dormir, incapaz de lhes falar porque qualquer palavra é insuficiente para o momento e, qualquer um a pode proferir, não tocar porque nenhum toque transmite a realidade, é só um toque, ser o momento maior do que eu, do que tudo, absorto numa respiração que não é minha, dar-lhes nesse momento, tudo o que recebi.
Obrigado Mãe.